O maior compromisso da minha vida é construí-la com dignidade

Fahena Porto Horbatiuk

Cada pessoa constrói diariamente sua vida, bem maior, para o qual faz o máximo investimento em valores.  Ela é um dom fantástico, quando nos confiamos nas mãos daquele que a concebeu, o Criador.
“O milagre de cada indivíduo”, como diz Mário Quintana, possui em si a chave para ir abrindo sempre novas portas, mas sempre em direção à luz. Caso contrário, seu olhar vai perdendo o brilho, e perde-se, aos poucos, num labirinto de sombras. Perde-se de si mesmo, de seu futuro possível.
Poeta, místico, apaixonado pela vida, expande sua energia vibrante por onde passa, no exercício de sua profissão, em seu lar, na comunidade. Exemplos não faltam: Abraão e Sara, Thomas Édison, Albert Einstein, Martin Luther King, Louis Pasteur, Albert Schweitzer, o Apóstolo Paulo, Felix Mendelssohn, Jesus de Nazaré, entre tantas pessoas que dignificaram sua vida.
As pessoas que mudam o mundo aceitam fazer parcerias, trabalhando juntas, para alcançar o que nenhuma delas conseguiria sozinha. Elas sabem que não são a origem de sua própria grandeza, são humildes, e nem sempre têm o reconhecimento público, pelo contrário, recebem incompreensão, mas sem desanimar. O farol interior atinge mais longe que as tumultuadas maledicências.
Para mudar este mundo, num tempo em que se descobre que o meio ambiente é tão importante, que o outro é tão importante quanto nós, que o individual e o coletivo se complementam, é oportuno, mergulhando em nosso silêncio interior, ir traçando planos a curto, médio e longo prazo, mas guiados sempre por aquela voz que nos diz que podemos voar mais e mais alto.
O tema da Campanha da Fraternidade este ano é: Economia e Vida. E o lema: Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro (Mt 6, 24). Refere-se a uma economia baseada na solidariedade e no amor fraterno. Já está comprovado que a organização da sociedade não pode ser baseada apenas no progresso científico e econômico. As pessoas carecem mais de humanidade, de ternura, de compreensão, de diálogo, de gratuidade e disponibilidade. Os bens materiais são úteis à medida que nos auxiliam a ser melhores e a servir melhor ao nosso próximo. São meios, não um fim. A sociedade do efêmero anseia por compromissos duradouros, pela confiança no outro, pela sinceridade das intenções, que os valores cristãos prezam em primeiro lugar. Em vez de sociedade do espetáculo almeja-se à realidade experienciada no amor de Deus e do próximo.
Vale a espiritualidade que perpasse todas as situações, deixando de lado as mazelas do egoísmo, da ganância e do orgulho. A felicidade é a grande conquista de quem se livrou do exagerado amor aos bens materiais. Recebemos os bens para a vida e não a vida para a riqueza. Essa é a ética fundamental para a mudança de foco, para a responsabilidade social e sustentabilidade das organizações.
Queremos viver em paz: paz interior; paz no corpo, no coração, no espírito; paz social; e paz ambiental. Colaboremos para uma economia a serviço da vida.

Compreender a vida é captar as sensações com os cinco sentidos; usar os recursos da atenção e da concentração prolongada e duradoura sobre o objeto de interesse. E ter força de vontade.

Como se faz para despertar nas crianças, desde pequenas, o gosto por observar a natureza, para refletir sobre seu dia a dia-a-dia, sobre seu modo de ser? Não podemos, com certeza, esperar pelas aulas que terão, um dia, de filosofia, sociologia, religião.

Como fazer que percebam o que de bom e belo as rodeia e que almejem participar desse universo, colocando seu talento a serviço da humanidade, e, por conseqüência, de sua realização pessoal? O amanhã será sempre um mistério e precisamos estar prontos para vivê-lo com confiança e alegria.

Como fazer com que gostem de se relacionar, com que amem e se sintam amadas, que tenham elevada autoestima, num mundo em que as pessoas pouco conversam, menos ainda refletem, em que adultos e jovens trabalham sem cessar? Ou se divertem no mesmo ritmo... Em um mundo em que as pessoas, em geral, dão atenção às outras quando elas ficam doentes, ou reclamam, brigam, ou ameaçam se distanciar?

A sociedade tem lutado para formar pessoas equilibradas e saudáveis, mas é preciso ser mais minucioso a cada etapa dessa elaboração. Formar bem os pais e mães, dar-lhes apoio constante, para que sejam diferentes e coloquem sua vida e a de seus filhos como prioridade, antes do conforto e bens materiais.

Antes de pagar psicólogos e médicos, mais tarde, advogados, para eles, quando revoltados, ou desviados das atitudes positivas, que se procurem médicos, psicólogos, lideranças infanto-juvenis, que possam ir encaminhando-os para uma constituição pessoal harmoniosa e, principalmente, feliz. Como analisa Obry, “talentos só podem viver, evoluir e se desenvolver entre outros talentos.” E cada um possui o seu, que é sua forma particular de ser, de analisar e compreender a vida. O talento é o que há de melhor em cada um, e é sempre voltado às outras pessoas. O interessante é que os talentos geram conseqüências sociais, acrescentando consciência do valor da vida e do ser humano.

Juntando-se talento e paixão (no sentido de grande afeto, ou capacidade de uma atenção intensa sobre algo), pode-se imaginar profissionais competentes, habilidosos, agindo com muito gosto e vontade firme de vencer.

O Brasil tem uma riqueza de pessoas criativas e inteligentes, nas várias áreas do saber: teatro, cinema, esportes, música, tecnologia, direito, agricultura, magistério... Mas, como energia pessoal pode ser aplicada para o bem ou para o mal, é preciso construir uma sociedade firmada em valores morais e religiosos que guiem crianças, jovens e adultos para ações realmente relevantes e benéficas. Marco Aurélio Vianna, em Líder Diamante, fala em sétimo sentido (o sentido da vida).

São incontáveis, hoje, os autores que realçam a motivação, o empreendedorismo, a liderança e outras virtudes humanas, o que teria como melhor metodologia o autoaprendizado, no decorrer da vida, realizado em ambiente favorável. As famílias, as creches e escolinhas maternais, a igreja, o atendimento pelo Serviço Social, pelos Psicólogos, num cultivo carinhosos dessas flores, para irem desvendando, a cada momento, o melhor de si neste mundo. É questão de juntar, como verso e reverso de uma página de papel, o “feijão e o sonho”, o pensar e o fazer, o eu e o nós.

E assim vamos, aos poucos, “conhecendo a realidade que está por vir, esperando para ser encontrada.” E precisamos de paixão pela vida, para ir ao encontro dela, sempre desconhecida e original, vencendo nossas limitações. Isto é, ir compreendendo e assumindo, diariamente, a vida.

 

 

 

Fahena Porto Horbatiuk, mestre em Lingüística Aplicada, membro da Academia de Letras do Vale do Iguaçu (Alvi), professora de Língua e Literatura nos cursos de Secretariado Executivo e Comunicação Social, e presidente do Conselho Editorial da Uniuv.

 

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