Notícia

Ciclo de palestras do CRA-PR com Leandro Karnal tem início em União da Vitória com apoio da UNIUV

31/03/2016


O Conselho Regional de Administração do Paraná (CRA-PR) com apoio do Centro Universitário de União da Vitória (UNIUV) promoveu ontem (30), a palestra sobre Ética nas Corporações com Leandro Karnal. O evento, aberto ao público, lotou o Cine Ópera.

União da Vitória foi a primeira, das 18 cidades paranaenses, que receberão Leandro Karnal. O objetivo do CRA-PR com o ciclo de palestras é levar conhecimento ao cidadão paranaense sobre a realidade da crise política e econômica vivida pelo País. Segundo o Presidente do CRA-PR, Gilberto Serpa Griebeler, o Conselho tem esperança, fé e a certeza absoluta que os brasileiros farão as mudanças necessárias para o Brasil seguir novos rumos. “Esta é a contribuição do CRA para a sociedade. Vocês estão aqui porque identificaram uma oportunidade de aprendizado. Tenho a certeza que ao saírem daqui, terão crescido como cidadãos. Nosso objetivo é esse, que o cidadão brasileiro, paranaense tenha a consciência exata do que representa para a sociedade”, expressa.

Leandro Karnal trabalhou em sua palestra a ideia de Aristóteles, de que a vida ética é a vida que vale a pena ser vivida, que conduz a felicidade. A vida não ética é uma vida difícil, complicada, uma vida sempre em sobressalto. “Como dizia Étienne de La Boétie, os criminosos, as pessoas sem ética não tem amigos, eles tem cúmplices. Elas não se amam, elas se entre temem. Então a vida com ética é mais reta, mais dinâmica, capaz de produzir felicidade, porque de fato é possível enganar as pessoas, mas nós sabemos que não é possível enganá-las por muito tempo, em algum momento teremos algum problema”, explica.

Em entrevista para a UNIUV, Karnal explica que a falta de ética começa na chamada microfísica do poder. “Ela acontece no plano da família, no plano da escola, no plano do trânsito, nas relações pessoais e ela vai sendo transposta. É claro que é muito mais grave roubar o Estado do que andar no acostamento, mas existe uma relação causal entre uma coisa e outra. Quem anda no acostamento é tolerante à falta de ética e vai ser tolerante com o político não ético, vai eleger um político não ético ou vai ser contraditório cobrando do político a ética da qual não consegue ter. Então nós temos que discutir no plano pessoal, político e nacional essas questões de ética. Estamos no fundo fazendo isso nesse momento de crise que enfrentamos”, relata.

Ao falar sobre a crise brasileira, Karnal se mostra otimista com o momento de discussão que o Brasil vive. “Nós temos uma crise estrutural, nós temos uma crise antiga de valores. Mas é a primeira vez na história do Brasil que creio que nós estamos discutindo do ponto de vista nacional valores como a ética e o combate a corrupção. A primeira vez na história brasileira que estamos discutindo a corrupção passiva e a corrupção ativa. É a primeira vez que de fato estamos envolvidos em uma reflexão sobre o sentido de fazer política, a questão da coisa pública, a moralidade e assim por diante. Logo, apesar de estarmos no olho do furacão de uma crise, eu tenho profundo otimismo com este momento”, conta.

Karnal relata que mesmo eliminando uma geração de políticos não éticos, melhorando o eleitorado, a qualidade da nossa política, ainda teremos problemas no futuro. “Países muito avançados e com sólida tradição democrática têm problemas de ética. A grande questão é que serão problemas de ética e não a ética como uma falta estrutural nas relações políticas de toda a nação”, diz.

Para Alysson Frantz, Reitor da UNIUV, a educação é o único agente transformador que tem plenas condições de transformar o mundo em um lugar melhor. "A UNIUV aposta nas ações positivas para que a formação profissional possa contribuir efetivamente para o desenvolvimento da região. Se nos unirmos com objetivos reais e plausíveis, facilmente seremos uma sociedade mais igualitária que prima pelo crescimento ético e moral. Creio que essa palestra convoca a todos para uma profunda reflexão sobre o que somos, de onde viemos e para onde vamos", completa. 


por: Thaina da Cruz